O mês de novembro chega pintado de azul para lembrar uma verdade que ainda enfrenta resistência: homem também precisa cuidar de si. A campanha Novembro Azul, criada na Austrália em 2003 e reconhecida mundialmente, busca conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas vai além. É um convite para que os homens repensem sua relação com a própria saúde.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo mais frequente entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. De acordo com o estudo Estimativa 2023–2025 – Incidência de Câncer no Brasil, o país deve registrar cerca de 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano, o que representa 30% de todos os cânceres diagnosticados na população masculina, excetuando-se os de pele não melanoma.
Em escala global, o relatório GLOBOCAN 2022, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da International Agency for Research on Cancer (IARC), apontou 2,3 milhões de novos casos da doença em todo o mundo e aproximadamente 670 mil mortes no mesmo ano. Por outro lado, quando diagnosticado precocemente, o índice de cura ultrapassa 90%, o que reforça que a informação e o acompanhamento médico salvam vidas.
Mas ainda há um obstáculo silencioso: a cultura do descuido masculino. Muitos homens evitam consultas de rotina por vergonha, medo ou simplesmente por acharem que não é necessário. Essa resistência é um desafio de saúde pública e também um campo de atuação para instituições que representam o servidor público.
É aqui que o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) pode assumir protagonismo. O instituto previdenciário, além de garantir a segurança financeira de seus segurados, pode ser um agente ativo na promoção da saúde, incentivando exames preventivos, campanhas educativas e ações de bem-estar físico e mental. Afinal, cuidar da saúde é garantir o futuro de cada servidor, de cada aposentado, de cada família.
Entre as ações possíveis estão parcerias com as Secretarias Municipais de Saúde para ofertar palestras, rodas de conversa e exames preventivos, além de programas voltados à qualidade de vida do homem servidor. Também é essencial falar sobre saúde mental masculina, tema ainda pouco debatido, mas que impacta diretamente o equilíbrio social e familiar.
A escuta ativa, o acolhimento e o incentivo ao diálogo são formas concretas de cuidado que fortalecem vínculos e salvam vidas.
O Novembro Azul nos ensina que cuidar não é sinal de fraqueza, e sim de coragem. Procurar um médico, fazer exames de rotina, cuidar da mente e do corpo são gestos de responsabilidade e amor próprio.
Quando um RPPS abraça essa causa, ele demonstra que sua missão ultrapassa cálculos atuariais e reservas financeiras: é sobre proteger vidas.
Porque previdência, no fim das contas, é isso. Prevenir, amparar e cuidar de quem dedica a vida ao serviço público.
Onde estivermos e por onde passarmos, que nossas ações possam somar às vidas que cruzam o nosso caminho. Não é sobre conquistas individuais ou objetivos próprios, é sobre o que se constrói em conjunto, sobre o sentido social que surge quando o resultado deixa de ser de um e passa a ser de todos.
“Cuidar é mais do que um ato; é uma atitude. Representa envolvimento, responsabilidade e afeto pelo outro.”
Rubens Alves
Por: Núcleo Editorial | O Previdente